Onde mora Deus? Essa é uma das primeiras perguntas que as crianças fazem. É, também, uma dúvida que atormenta muitos adultos.
Deus tem muitas moradas.
Ele mora debaixo do viaduto em que vive um "sem teto"; nas famílias da regiões em guerra que foram obrigadas a deixar o lar, a cidade e o país; na África, nas regiões onde as brigas tribais se perpetuam; na casa que você habita, e nela Ele tem vários nomes: mãe, pai, Luiz, Renata, vovó e etc; mora na escola e senta-se ao seu lado; Ele viaja no seu ônibus. Ele mora na mensagem eletrônica que você recebeu, pedindo uma palavra de apoio; na casa do vizinho que perdeu um filho querido; no drogado que passa por você com olhar vazio; na pessoa depressiva que você não consegue atingir com sua palavra; na criança órfã que ninguém quer adotar.
Deus mora no doente esquecido numa cama; na comunidade paroquial, onde as necessidades se multiplicam e os voluntários são insuficientes; Ele também vive na China, onde poucos conhecem o nome de Seu Filho. Deus mora na criança que lhe sorri; na jovem que canta, cheia de alegria; no pai que, ao terminar o trabalho, caminha para chegar logo em casa; mora na comunidade de uma ilha do pacífico, que se reúne aos domingos para participar da santa Missa.
Deus mora nos arredores de Moscou, de Londres, de Brasília, do Cairo e de tantas outras cidades onde há alguém que espera ser amado e confortado; mora em seu coração e na capela que você viu na semana passada, numa rua da periferia; mora em sua Palavra e nas estrelas do céu; nos sacramentos e no rosto do desconhecido que caminha a seu lado.
"Onde mora Deus?" Esta pergunta sempre voltava ao coração de um homem que não se cansava de dizer: "Senhor, desejo te ver! Mostra-me a tua face!" Diante da súplica, Deus decidiu atendê-lo: "Amanhã, na praia que fica perto da tua casa, tu me verás!"
No dia seguinte, o homem se pôs a caminho. Sua alegria era imensa. Iria, finalmente, realizar seu antigo desejo!
Dados os primeiros passos, encontrou-se com uma vizinha que o saudou, desejando lhe falar da filha que retornara a casa. Pensando na experiência que teria, o homem seguiu adiante. Depois, viu um desconhecido ao lado de um carro. O pneu precisava ser trocado, mas como? Faltava-lhe o "macaco". O pedido de ajuda recebeu uma resposta seca: "Hoje não dá! Tenho um compromisso muito importante!" Andou mais um pouco e se viu diante de um novo problema ("Por que tudo acontece justamente hoje?"): uma criança caíra da bicicleta e chorava. "Não deve ser grande coisa!" Desculpou-se e foi adiante.
Finalmente chegou à praia. O tempo passou, e nada. Será que se enganara? Será que não entendera onde seria o local do encontro? Ao fim do dia, concluiu: "Acho que sonhei. Não haverá encontro algum". E voltou para casa, desanimado e triste.
A noite, na oração, falou ao Senhor: "Sabe, pensei que te encontraria na praia. Vi que me enganei". Sentiu, então, no coração, a resposta do Senhor: "Não te enganaste! Eu fui ao teu encontro. Tu é que não me viste. Lembra da vizinha que queria conversar? Do dono do carro que precisava de ajuda? Da criança caída? Eu estava neles, à tua espera. Mas, estavas tão preocupado contigo mesmo, tão fechado em teus próprios interesses, que não foste capaz de perceber a minha presença, nem de ver o meu rosto nos vários momentos que eu escolhi para me manifestar a ti..."
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(Fonte: Revista Brasil Cristão - Agosto 2014
Texto: D. Murilo Krieger, scj, Arcebispo Emérito de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil)














“O Senhor fará tudo por mim. Javé, o teu amor é para sempre!”

