sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Torradas Queimadas



Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.

Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse: "- Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:

"- Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada...  Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias!

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro.

Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar.

A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos completamos.

Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes. Não que mais tarde, o dia que um partir, este mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor."

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De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.

Então, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida à você e ao próximo.

"As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez,
ou do que lhes disse. 
Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir." 

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sábado, 10 de janeiro de 2015

Velha... Eu???

Já aconteceu de você, ao olhar pessoas da sua idade, pensar: não posso estar assim tão velho(a)?!!!!

Veja o que conta uma amiga:

Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava dependurado na parede.

Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei de um moreno, que tinha esse mesmo nome.

Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás, e eu me perguntava: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?

Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito.

Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado... era demasiadamente velho pra ter sido o meu amor secreto.

Depois que ele examinou o meu dente, perguntei-lhe se ele estudou no Colégio Sacré Coeur.

- Sim, respondeu-me.

- Quando se formou?, perguntei.

- 1965. Por que esta pergunta?, respondeu.

- É que... bem... você era da minha classe!, eu exclamei.

E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido e lazarento me perguntou:

- A senhora era professora de quê?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Oração para o Ano Novo



Meu Deus, eu te ofereço este ano que começa.
É uma parcela deste tempo precioso que me deste para te servir.
Quero colocá-lo sob o signo da fidelidade.
Que ele seja uma longa ascensão para ti
e que a cada dia eu me encontre mais rico de fé e de amor.
Meu Deus, eu te ofereço todos os que amo.
Que neste ano eu não lhes falte,
mas seja para eles canal invisível de tua graça
e que minha vida lhes manifeste teu amor.
Meu Deus, ofereço-te também a imensa dor deste mundo que tu criaste
e resgataste: o sofrimento das crianças inocentes,
o tédio letal dos exilados,
a angústia dos que tem responsabilidades
e esse peso que sobre todos pesa.
Meu Deus, que uma fagulha de tua caridade espanque as trevas
e que a aurora da paz se levante neste ano.
Amém!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A oratória do Natal



Que surpresa! O Senhor, o Salvador, deitado em uma manjedoura, envolvido em faixas! Ele quis nascer onde não houvesse muros, grades, portas ou coisas parecidas. Nasceu em uma gruta, sem portas, à disposição de todos. Nasceu criança frágil, pobre e carente, porque Ele é o "Emanuel", "Deus conosco". E foi colocado em uma manjedoura para se fazer "comida"! É impressionante o fato de que, enquanto os homens empregam todos os meios para tirar a vida, justamente nesse momento, o próprio Autor da vida nasce em uma manjedoura, fazendo-se Alimento de Vida!

O grande pregador jesuíta, Padre Antônio Vieira, em seu sermão do Nascimento do Menino Jesus, citando a passagem em que lemos: "E o Verbo se fez carne" (Jo 1,14), pergunta: "De que adianta o Verbo se fazer carne em uma criança se ela não pode falar?". E responde: "É que há uma diferença entre a voz humana e a voz divina. E a diferença é que a voz humana se percebe com os ouvidos; a voz divina com os olhos. E o que os pastores foram ver em Belém? Foram ver 'A Palavra'. Diz São João, no prólogo do seu Evangelho: "E o Verbo se fez carne e nós vimos a sua glória" (Jo 1,14).

Santo Agostinho dizia: "Assim como Deus, antes de ser homem, ensinava falando interiormente aos corações, depois que se fez criança ensinava falando aos olhos: 'Vejamos este Verbo!' (Lc 2,15)".

Mais tarde, aquela criança de Belém falaria por meio de palavras: "Bem-aventurados os pobres... os mansos, os aflitos, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos". Entretanto, no seu Natal, ele mostra por meio de suas lágrimas e seus gemidos de recém-nascido, na extrema pobreza de uma manjedoura perdida dentro de uma gruta, entre animais, em fria noite de inverno, como ser pobre, manso, aflito, misericordioso, puro e pacífico! Deus nos fala por meio de Suas Obras! Calado, o Menino Jesus é o Divino Orador!

O que o Divino Orador diria a você, que é filho, filha, esposo, esposa, pai, mãe, avô ou avó? O que diria às crianças de hoje? Aos assaltantes, sequestradores e assassinos? Aos homens do governo, aos políticos, aos artistas, aos operários, aos empregados, aos patrões? O que diria aos moradores de rua e às crianças dos orfanatos? Enfim, o que diria a cada um de nós?

Vamos colocar nosso coração bem juntinho do Coração daquela criança, e depois de senti-lo, de ouvir o que ele tem a dizer a cada um de nós, o que vamos dizer a ele? "Sagrado Coração de Jesus, fazei meu coração semelhante ao Vosso!". Ficam também, como sugestão, as palavras puras e simples de Carlos Pena Filho:

"- Sino, claro sino, tocas para quem?
- Para o Deus Menino que de longe vem.
- Pois, se o encontrares, traze-o ao meu amor.
- E o que lhe ofereces, velho pecador?
- Minha fé cansada, meu vinho, meu pão, meu silêncio limpo, minha solidão e todo meu amor!"

(Pe. Pedro Canísio Melchert, SJ)

domingo, 14 de dezembro de 2014

A borboleta azul


Havia um viúvo que morava com duas filhas curiosas e inteligentes.

As meninas sempre faziam muitas perguntas. A algumas, ele sabia responder, outras não.

Como pretendia oferecer a elas a melhor educação, mandou as meninas passarem férias com um sábio que morava no alto de uma colina.

O sábio sempre respondia a todas as perguntas sem hesitar.

Impacientes com o sábio, as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder.

Então, uma delas apareceu com uma borboleta azul que usaria para pregar uma peça no sábio.

- O que você vai fazer? - perguntou a irmã.

- Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta. Se ele disser que está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar. Se ele disser que está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim, qualquer resposta que o sábio nos der estará errada!

As duas meninas foram, então, ao encontro do sábio, que estava meditando.

- Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me, sábio, ela está viva ou morta?

Calmamente o sábio sorriu e respondeu:

- Depende de você. Ela está em suas mãos.


Assim é a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro.
Não devemos culpar ninguém quando algo dá errado.
Somos nós os responsáveis por aquilo que conquistamos
(ou não).
Nossa vida está em nossas mãos, assim como a borboleta.
Cabe a nós escolher o que fazer com ela.

(autor desconhecido)

sábado, 13 de dezembro de 2014

O que é Deus? O que a Deus pertence?



Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” O que é de Deus? O que a Deus pertence? A resposta clara e simples será: Tudo! Deus é o criador do céu e da terra, tudo lhe pertence, inclusive César. César é o rei, o presidente, o governante, aquele que tem poder e manda. O profeta Isaías nos fala de um desses homens poderosos da história, o rei Ciro, da Pérsia, grande conquistador, que permitiu aos judeus voltarem à sua terra terminando assim o cativeiro da Babilônia. Pois bem! O profeta Isaías nos mostra como o rei Ciro foi instrumento nas mãos de Deus, esteve submetido a Deus e realizou a vontade de Deus. Na história de Ciro, ficamos sabendo que o único e verdadeiro Senhor é Deus. Ao darmos a Deus o que é de Deus, damos-lhe também César, o imperador e rei. Ele está debaixo das ordens de Deus.

E o que devemos dar a César? Quem é César e o que lhe pertence? Os romanos antigos chamavam de César o chefe do governo, o imperador. César é a sociedade na qual nós vivemos com sua organização, suas leis, seu sistema de vida. Quando Jesus pergunta de quem é a figura e a inscrição que estão na moeda, a resposta é: “De César”. A moeda tem um rosto, e, se esse rosto transmite a paz resultante da justiça, os cidadãos vivem bem. A moeda, instrumento de troca, é útil e até necessária. Não faltando a ninguém, com ela suprem-se as necessidades.

A realidade, porém, pode ser outra. Na Evangelii Gaudium, o Santo Padre Francisco chama a atenção de todos para a “ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano”. Esta economia mata porque exclui e cria desigualdades. Como nos relacionamos com a moeda de César, seja ele quem for? “Será que não aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as nossas sociedades?”, pergunta o papa. A moeda não pode encobrir o ser humano. O dinheiro deve servir, não governar, por isso damos a Deus o que é de Deus, inclusive o dinheiro que deve existir e ser administrado de forma ética em benefício do ser humano. Somos todos exortados a “uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano”.

O salmista chama todas as nações a adorar o único Senhor do mundo, dar-lhe glória e oferecer-lhe sacrifícios porque este Senhor reina e julga os povos com justiça e cobrará de César o equilíbrio ou o desequilíbrio na administração da moeda.

A comunidade de Tessalônica experimentou na pele o desequilíbrio da miséria ao lado da abundância. O povo pobre esperou com ansiedade a vinda de um Deus que lhes desse esperança de vida e não apenas de sobrevivência. Os apóstolos chegaram e, a partir de então, os pobres de Tessalônica se revestiram de uma fé atuante, de uma caridade esforçada e de uma firme esperança. Paulo elogia os tessalonicenses que sofreram perseguições de quem se sentiu incomodado pelo Espírito que os unia e lhes dava força.

Na experiência brasileira, a Palavra de Deus uniu gente simples e desamparada, dando-lhes força para o trabalho conjunto e a defesa da própria dignidade. Isso incomodou a alguns que não duvidaram desencadear verdadeira perseguição aos membros das comunidades. Que a moeda de César não se torne arma de destruição dos mais fracos.

Is 45,1.4-6 – Eu sou o Senhor, não existe outro.
Sl 95 (96) – Cantai ao Senhor Deus um canto novo.
1Ts 1,1-5b – Recordamo-nos sem cessar da vossa fé.
Mt 22,15-21 – Dai, pois, a César o que é de César.

Fonte: Revista Família Cristã - outubro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O acampamento


Sherlock Holmes e Dr. Watson vão acampar. Montam a barraca e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir.
Algumas horas depois, Holmes acorda e cutuca seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes então pergunta:
- E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois enumera:
-1) Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias e, potencialmente, bilhões de planetas.
- 2) Astronomicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte.
- 3) Temporariamente, deduzo que são aproximadamente 03h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar.
- 4) Teologicamente, posso ver que Deus é todo poderoso e somos pequenos e insignificantes.
- 5) Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correto?
Holmes fica um minuto em silêncio, então responde:
-Watson, seu idiota! Significa apenas que alguém roubou nossa barraca!!!
 

Moral da história: 
 "A vida é simples, nós é que temos a mania de complicar".

domingo, 16 de novembro de 2014

Vida


Vida é o poema motivacional que já percorreu o mundo e inspirou milhões de pessoas. Com um forte caráter sugestivo, Vida é um guia emocional cuja leitura se destina a atrair boas energias e a encarar a vida com ânimo, em todas as situações. As páginas do poema estão ilustradas com fotografias que enfatizam a sua mensagem, que iluminam o espírito e o caminho para a felicidade. Já perdoei erros quase imperdoáveis é o subtítulo que resume a inspiradora mensagem deste poema: a disseminação de amor e tolerância para com o próximo.

Autor:
Augusto Branco é um poeta brasileiro cujos poemas circulam na Internet em apresentações de PowerPoint, vídeos no YouTube, blogues, etc. Uns circulam com o pseudônimo de Charles Chaplin, outros com "autor desconhecido". Este poema "Vida" amplamente divulgado acabou por ser registrado na Biblioteca Nacional do Brasil que confirmou a sua verdadeira autoria, atribuindo o Certificado de Direitos Autorais a Augusto Branco.

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