sábado, 13 de dezembro de 2014

O que é Deus? O que a Deus pertence?



Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” O que é de Deus? O que a Deus pertence? A resposta clara e simples será: Tudo! Deus é o criador do céu e da terra, tudo lhe pertence, inclusive César. César é o rei, o presidente, o governante, aquele que tem poder e manda. O profeta Isaías nos fala de um desses homens poderosos da história, o rei Ciro, da Pérsia, grande conquistador, que permitiu aos judeus voltarem à sua terra terminando assim o cativeiro da Babilônia. Pois bem! O profeta Isaías nos mostra como o rei Ciro foi instrumento nas mãos de Deus, esteve submetido a Deus e realizou a vontade de Deus. Na história de Ciro, ficamos sabendo que o único e verdadeiro Senhor é Deus. Ao darmos a Deus o que é de Deus, damos-lhe também César, o imperador e rei. Ele está debaixo das ordens de Deus.

E o que devemos dar a César? Quem é César e o que lhe pertence? Os romanos antigos chamavam de César o chefe do governo, o imperador. César é a sociedade na qual nós vivemos com sua organização, suas leis, seu sistema de vida. Quando Jesus pergunta de quem é a figura e a inscrição que estão na moeda, a resposta é: “De César”. A moeda tem um rosto, e, se esse rosto transmite a paz resultante da justiça, os cidadãos vivem bem. A moeda, instrumento de troca, é útil e até necessária. Não faltando a ninguém, com ela suprem-se as necessidades.

A realidade, porém, pode ser outra. Na Evangelii Gaudium, o Santo Padre Francisco chama a atenção de todos para a “ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano”. Esta economia mata porque exclui e cria desigualdades. Como nos relacionamos com a moeda de César, seja ele quem for? “Será que não aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as nossas sociedades?”, pergunta o papa. A moeda não pode encobrir o ser humano. O dinheiro deve servir, não governar, por isso damos a Deus o que é de Deus, inclusive o dinheiro que deve existir e ser administrado de forma ética em benefício do ser humano. Somos todos exortados a “uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano”.

O salmista chama todas as nações a adorar o único Senhor do mundo, dar-lhe glória e oferecer-lhe sacrifícios porque este Senhor reina e julga os povos com justiça e cobrará de César o equilíbrio ou o desequilíbrio na administração da moeda.

A comunidade de Tessalônica experimentou na pele o desequilíbrio da miséria ao lado da abundância. O povo pobre esperou com ansiedade a vinda de um Deus que lhes desse esperança de vida e não apenas de sobrevivência. Os apóstolos chegaram e, a partir de então, os pobres de Tessalônica se revestiram de uma fé atuante, de uma caridade esforçada e de uma firme esperança. Paulo elogia os tessalonicenses que sofreram perseguições de quem se sentiu incomodado pelo Espírito que os unia e lhes dava força.

Na experiência brasileira, a Palavra de Deus uniu gente simples e desamparada, dando-lhes força para o trabalho conjunto e a defesa da própria dignidade. Isso incomodou a alguns que não duvidaram desencadear verdadeira perseguição aos membros das comunidades. Que a moeda de César não se torne arma de destruição dos mais fracos.

Is 45,1.4-6 – Eu sou o Senhor, não existe outro.
Sl 95 (96) – Cantai ao Senhor Deus um canto novo.
1Ts 1,1-5b – Recordamo-nos sem cessar da vossa fé.
Mt 22,15-21 – Dai, pois, a César o que é de César.

Fonte: Revista Família Cristã - outubro de 2014

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